“A poesia não se entrega a quem a define.


Mário Quintana


quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Palavra do Dia!


A última estação

Pode descer
Daqui não se vai nem se volta
Vê ali, naquela porta?
É a ultima estação

Não leves bagagem
só um pingo de coragem
pra guiar seus passos
romper todos os laços

Na ultima estação
não tem choro
nem desconforto
é tudo canção

Desce que o trem já apita
desce e vai pro final da fila
vai sem relogio ou chapéu
deixe para trás a bolsa de mão

Segue o caminho
pela alma esquecido
deixa falar o coração
o céu é a ultima estação.

Palavra do Dia!



O piano

Ele estendeu os dedos
Tão anêmonas nos corais
e desceu acordes tão graves
tão alma nos fogos infernais

Começou com uma escala
que levou com ela minh'alma
crescendo diminuendo
e eu ia enlouquecendo

suspirou e fez pausa
trouxe paz à minha agitação
pra logo recomeçar
e atingir meu coração

que maquina estranha
divina e diabólica
do inicio ao tacito momento
trilha eterna e histórica

Mas que cena quando ele toca o piano!

Palavra do Dia!


Preto e Branco

Deixa quase tudo no preto
E tudo o que restar no branco
Metade descansa no tormento
O resto respira encanto

Deixo uma linha tênue
Entre a solidão
E o acalanto
deixo tudo confuso
desatento

Largo o chiaro
crio tudo o que é
oscuro
Falo tanto fico mudo

Vejo eu a tua luz clara
Que me bloquei toda a fala
E eu lamento na escura
solidão e te guardo no coração

Sê tormento e eu encanto
Somos nós o preto e branco

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Palavra do Dia!


Canção da cadeia de balanços

Uruá

Ela cantava

Saraci miô

Ela sorria

Sarapatiri

A cadeira rangia

Na casca do juá

No seu colo eu dormia

domingo, 13 de novembro de 2011

Palavra do Dia!

Castelo
Moro num castelo de areia
Bem junto ao mar, instalado
E se a onda forte vem bater
Não se preocupe, meu castelo é encantado

Pode a chuva cair feroz
E o vento fazer tufão
Meu castelo não vai desabar
E nem cair no chão

Seguro em meio a tempestade
Fresco nos dias de Sol
Meu castelo não tem janelas
Nem portões, nem quintal

Moro num castelo de areia
Forte como aço, suave como flor
Construído de sonhos e canção
moro num castelo chamado coração

sábado, 15 de outubro de 2011

Um sussurro qualquer...

Eu volto sempre pro mesmo lugar

Eu volto sempre pro mesmo lugar
Onde nos encontramos pela última vez
Quando eu vi que nos teus olhos
meu reflexo não estava alí mantido
E eu que te guardei nos meus,amigo

Eu volto sempre pra mesma canção
Aquela tão linda que você cantou um dia
Tua voz tão doce,tão suave e você tão distante
Que te trazia pra tão perto de mim
Pelo fio do telefone, num instante

Eu volto sempre pras mesmas lágrimas
As que eu derramei e você enxugou
Aquelas da nossa memória, que o tempo apagou
Aquele afago no rosto
E o beijo que ninguém roubou

Eu volto sempre pro mesmo lugar
Para aquela mesma solidão
Aquela que você deixou aqui
Onde tudo começou e tudo terminou
Tudo aquilo que te traz de volta pra mim.