“A poesia não se entrega a quem a define.


Mário Quintana


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Palavra do Dia!


Vermelho

A terra é úmida
mas não tão quente
quanto o doce suor da sua boca

O lençol é macio e sem enfeite,
mas não tanto quanto seus seios,
ligeiramente pequenos, alvos e suaves,
como o leite

A Lua brilhante aponta no céu,
de setembro à novembro
negro véu

Mas teu olho cintila,delira
minha lingua na tua virilha

O sangue é viscoso 
e o hálito é fresco

Vermelho é o batom que eu roubo com um beijo....

Palavra do Dia!


Toque

Um toque
Um olhar
Que me custou a alma
Que me custou a carne
Que me custou mais do que eu podia pagar
Que custou a garrafa de vinho mais cara
Pra acalmar o estomago...

Se eu embriagasse as borboletas que 
agitadas voavam dentro dele
O toque dele não incomode tanto 
e não me custe tão caro da próxima vez...

Uma garrafa de vinho mais barata e uma partida de xadrez

Palavra do Dia!




Faz um Desejo

E será que meu desejo, vai assim se realizar
e eu finalmente,minha mão na sua vou entrelaçar?

E essa vontade vai um dia passar
Te acolher em meu peito e poder te abraçar?

E essa brincadeira de um do outro se esconder,
Mas que logo aparece pra ninguém se esquecer?

Vai então meu desejo enfim se realizar,
Eu digo que te amo, você vem pra me beijar!




Como não dizer Adeus!



Eu podia vê-lo, apoiada na porta a visão era bem melhor, não me importei muito se ele me veria ou não, mas ele estava tão absorto em seu violão, que acho que nem que se eu desabasse ali bem na frente dele, ele pararia de tocar aquela melodia que me invadia o coração, chovia lá fora, chovia muito, mas as gotas de chuva pareciam saber como ele queria que elas caíssem, porque elas acompanhavam a melodia q ele tocava suavemente, eu observava vidrada a fumaça que saia da boca dele, os olhos fechados numa entrega total a musica que eu ouvia, estavam presentes uma vulnerabilidade tão grande e uma força inexplicável, como se um muro se erguesse e eu não pudesse alcançá-lo... E ele estava lá, a poucos passos de mim, ainda encostada na porta, deslizei até sentar-me no carpete creme que ele amava e eu odiava, era confortável o momento, estiquei uma das pernas e abracei o joelho dobrado, tentei imita-lo na posição, mas eu n tinha um violão, nem seus olhos...
Olhei-o por mais um momento, poderia ter sido um minuto ou uma vida inteira, mas aquela era a melhor sensação do mundo, o cheiro dele em mim, o cheiro dos nossos livros espalhados por todas aquelas estantes, os cabelos desgrenhados e a barba q começava a crescer, ele jogou a cabeça p trás e eu o imitei, mas acabei batendo a parte de trás da cabeça na porta, gemi minimamente, não querendo tirá-lo de seu momento. Enquanto massageava a cabeça vi que ele sorria, sorria e olhava pra fora segurando o riso, não reclamei, não ri, só calei-me...

-Machucou? Disse sorrindo entre os dentes.
-Não, como você diz eu sou cabeça dura não é? Gemi como se estivesse brava...
- E bota cabeça dura nisso, dá uma olhada p ver se não amassou a porta. Ele riu
E eu resmunguei, e ele soltou o violão e veio em minha direção, sentou-se a minha frente, tomou minha cabeça entre as mãos e brincando disse:
-É, a porta não amassou...
Sorri, ele retribuiu e me beijou os lábios calmamente, aquele beijo que só ele podia me dar.
Separou os lábios dos meus e olhou pra trás, as malas no sofá da sala, as camisetas ainda pra dobrar, as calças ainda pra guardar, os lenços, as meias e os papéis...
Ele olhou pra baixo, beijei-lhe a testa e ergui-lhe o queixo, deixando os dedos em sua barba, fazendo circulos, ele fechou os olhos e suspirou e ficamos alí por um momento...
-Vou sentir sua falta sabe? Resmungou
-Não vai, logo você me esquece... Tentei falar divertida
Ele fechou a cara, como se eu tivesse ofendido a ele e as suas próximas gerações... Levantou-se, coçou a barba e voltou a concentrar-se em seu violão, agora as notas eram mais violentas, como quem sente raiva, a música era rústica e triste, mas ainda assim violenta...
Levantei-me, e fui em direção às malas, teria que guardar tudo, o que levaria e o que deixaria para trás, pus a mão sobre o peito, sussurrando baixinho sem olhar para onde ele estava :”Você também fica”. Ajoelhei em frente ao sofá e comecei a dobrar as camisetas, ri quando vi que entre elas estava a camiseta que ele mais gostava, mas não me atrevi a tirá-la do monte, levaria comigo, guardaria como o havia guardado em meu peito até hoje... Senti suas mãos trêmulas apoiarem-se em meus ombros, apertou-os como se estivesse me abraçando, e sentou-se ao meu lado, começando a dobrar as calças... Terminando, puxou a caixa de livros que estava à sua direita, vasculhou entre manuais, livros de política, poesia e alguns papéis soltos... Pequenos poemas que eu havia escrito pra ele e que ele nunca quis ler, ia levá-los comigo, eram meus afinal, eram a minha lembrança dele... Suspirou, e ficou de costas pra mim, respirou forte, e resolveu quebrar o silêncio que havia se instaurado entre nós:
-Você disse que não ia embora nunca.
-Eu já disse: Nunca diga nunca...
-Fica?
-Não posso. Vai comigo?
-Não quero.
-Assim é bem difícil...
-Você disse que eu era difícil, mas você tá sendo bem mais difícil que eu...
-Você está sendo dramático.... E eu sempre fui a dramática aqui... Você sabia que eu ia embora...
-Sabia com esperanças que ficaria, porque não pode simplesmente ficar?
-Não dá, você sabe disso, meu lugar não é aqui, você sabia disso desde o começo...
-Deixa eu ser o seu lugar, seu lugar é aqui, comigo, agora, como tem sido...
-Eu vou sentir sua falta...
-Você disse que eu vou te esquecer...
-Mas eu ainda vou sentir sua falta, até mesmo quando você postar foto no Facebook com a sua nova piriguete, loira de preferencia, e com cabelo liso, certeza, você sempre gostou das de cabelo liso....
-Eu gosto mais de você... Desajeitada e desarrumada.
-Ah que coisa linda pra se falar... Desajeitada tudo bem, mas desarrumada?
-É, como quando você fica depois do nosso beijo...
-A gente supera...
Levantei com os olhos querendo chorar... Não queria dizer Adeus, era dolorido demais, ainda faltava uma semana pra minha viagem... Mas ele me olhava como se faltassem segundos... Fui pra cozinha abri a geladeira e virei uma latinha de cerveja, sem vontade, só com gana de calar o choro...
-Tem mais uma? Ele disse apoiado na porta da cozinha. Fiz que sim com a cabeça e joguei uma lata pra ele, que bebeu vagarosamente, alternando goles e olhares no meu rosto vermelho, que eu tentava disfarçar culpando mentalmente a cerveja virada às pressas.
-Você podia tornar isso mais fácil pra mim não? Desabei a chorar, sentando no chão da cozinha. –Era tudo mais fácil antes de eu te conhecer, já estava acostumada a não deixar ninguém se aproximar e você vem e estraga tudo, e ainda faz com que eu me sinta a pior pessoa do mundo por não querer te dizer Adeus hoje, agora, ou daqui a dois minutos, eu só quero dizer Adeus no aeroporto, escondendo por trás do meu pior sorriso que eu sou forte, que eu não vou sentir sua falta a cada minuto...
Ele ajoelhou-se, e me tomou nos braços, calei o choro, permanecendo com os lamentos mentais e suspirando cada vez que sentia o cheiro dele...
-Não vou sentir sua falta, não gosto de mulher chorona...
-Mas você disse que me amava...
-Disse antes de você deixar cair a máscara e me mostrar a garotinha que você é... Certeza que não vou sentir sua falta. Ele sorriu, e eu incrédula, lí nos seus olhos que ele não queria dizer Adeus também, e ri, ele riu, rimos e nos abraçamos... Não haveria Adeus pelos próximos 5 dias.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Palavra do Dia!


Coincidências

Foram fatos
simples evidencias
estranhas coincidencias
que trouxeram sua lembrança
de volta pra mim

E eu pensando
se foi a minha essência
ou a saudosa inocência
que me fizeram lembrar de ti

O sorriso sempre aberto
o abraço refugio tão certo
De Euclídes a Assis
Eu lembro que eu era feliz

O coração sempre bondoso
O amigo mais carinhoso
De Fernando a Queirós
Que saudade que eu tenho de nós!

terça-feira, 31 de julho de 2012

O que acontece quando um escritor se apaixona por você?


O que acontece quando você se apaixona por um(a) escritor(a)?

Além de você começar a enxergar o mundo um pouquinho diferente, você descobre a imprevisibilidade, os versos deixados nos bolsos da sua calça favorita, o silêncio interminável enquanto ele(a) decifra quantos sorrisos você tem, quais os seus tiques e que seria possivel mapear seu rosto de olhos fechados,tamanho é o fascínio do momento, o temperamento estranho, que ri como se fosse criança pra daqui dois minuto cair no choro pela simples vontade de chorar, pela ansiedade irritante de um ser que não sai do computador ou da máquina de escrever enquanto não escreve o que quer, a revolta e a vontade de queimar tudo e de como ele(a) age querendo se isolar, te ignorando por dias pra depois vir com o jeito estranho de pedir colo silenciosamente, a distância no olhar, a presença no toque, a inconstância permanente e o medo de ele(a) nunca mais falar com você por não ter assistido o filme considerado essencial para vida... Da mania insuportável de ele(a)vagar o olhar por onde passa e sorrir feito idiota, pra depois tirar aquele bloquinho que você não acredita como ainda está inteiro, e escrever por alguns segundos, minutos, porque a ideia não pode se perder...

Mas, o que acontece quando um escritor se apaixona por você?

Seu olhar inchado de sono vai ser retratado como a visão mais linda num conto, sua mania de bater as pernas vai ser lida como a caracteristica de um personagem de uma história de suspense, porque é desse tipo de história que você gosta, o jeito que você caminha vai ser o jeito que o vilão vai caminhar, aquela sua camiseta verde que ele(a) adora vai estar no porta retrato de um dos filhos do casal, em cima da mesinha de mogno de uma crônica, os nós dos seus dedos, tão bem desenhados estarão em um poema, o despertador que apita irritantemente, o jeito como você penteia o cabelo, o fato de você nunca atender o celular e não usar relógio estarão em personagens que você nunca viu,eles não são você, nunca serão você,mas eles terão os mesmos tiques, a mesma risada,os mesmos hábitos alimentares irregulares, a mesma paixão por tal animal, o mesmo ódio por tal tipo de gente, eles terão aquela sua vontade de ser aquele super herói ou justiceiro, e eles serão protagonistas, heróis, vilões, ou o melhor amigo do mocinho, ou apenas um personagem sem importancia, mas que será essencial no desfecho da história, os dentes tão certinhos serão comparados a um farol desenhado numa paisagem pendurada na parede
Você saberá como ele(a) te vê lendo um poema, mesmo que você os ache um saco, tudo bem, ele(a) entende, porque você estará em cada letra, se ele não conseguir lhe dizer que te ama, ou que está triste, num poema ou história ele rasgará seu coração, pedirá perdão inúmeras vezes e fará declarações que ele não consegue fazer cara a cara, ele(a) é sensível, meio maluco(a) e vai se esvaziar de si mesmo pra se encher dos seus olhos, do seu sorriso, e do prazer de ver sua cara quando ele(a) fizer seu prato favorito. Ele(a) vai estudar todos os seus movimentos e mantê-los na cabeça pra usar em um personagem ou dois, ou em todos...


Enfim,se um escritor se apaixonar por você, você pode nunca morrer.