“A poesia não se entrega a quem a define.


Mário Quintana


sábado, 4 de dezembro de 2010

Palavra do Dia!

Prova

E se eu lhe pedir uma prova
Nada de selo de sangue
Nem um belo diamante
Você me dá?

E se eu lhe pedir um encanto
Um suficiente
Pra secar todo o meu pranto
Você me atende?

E se eu lhe pedir um sussurro
Um daqueles lançados ao vento
Que ultrapassa todo o tempo
Você me concede?

E se eu lhe pedir um sonho?
Nada que seja impossível
O mais simples se possível
Você sonha comigo?

E se eu lhe pedir um sorriso
Pra eu usar de abrigo
Quando o medo teimar me pegar
Você me sorri?

E se eu lhe pedir um Adeus
Você parte sem nem olhar pra trás
Pois eu sei que não seria capaz
De me despedir assim

E se eu lhe pedir uma prova
Duas palavras, nada que doa
Duas que aquietem meu Coração
Você diz que me ama?

O pierrot da minha escrivaninha! Parte II

"Lembro-me da primeira vez que nos vimos...Eu era uma menina, por volta de uns 10 anos, era gorducha, cabelos castanhos sempre presos numa trança, e era aniversário da vovó Adélia...
Eu estava sentada em uma das cadeiras da sala, e esta, estava finamente decorada, toalhas e babados por todos os lados, rosas amarelas ( as preferidas da vovó) enfeitando as mesas e outras partes da casa. Vi então algo cintilar em minha direção, cobri os olhos por um momento, esfreguei-os e vi sobre a mesa um homemzinho engraçado, vi-o pular da mesa, largando a colher que segurava no chão. Tia Magnólia, que estava ao lado da mesa, e que devia estar muito entretida nas conversas para não reparar em tal figura, se assustou com o barulho que a colher fez ao atingir o chão, olhou meio torto, recusando-se a abaixar para pegar a colher e simplesmente se afastou.
Levantei-me, caminhei lentamente até a mesa, sobos olhares atentos daqueles que estavam na sala, peguei a colher e meti-a no bolso do vestido. Quando a música se tornou mais alta convidando todos a encontrarem seus pares e começar a bailar, e ainda, alguns adultos se concentravam nas conversas chatas sobre economia e política, enfiei-me em baixo da mesa.
Procurei-o sem encontrar, e quando me virava para sair, ouvi risadas, bem baixinho, como se alguém as estivesse abafando, encontrei com a cabeça a mostra, atrás de um dos pés da mesa.
-Ei homemzinho, volte aqui! Sussurrei tentando chamar-lhe a atenção, mas sem sucesso.
Ele pulava na minha frente, ria e se escondia de novo, começara então nossa brincadeirade esconde-esconde debaixo das mesas da sala. O pequeno corria para se esconder, sempre deixando uma pista que eu pudesse seguir: a ponta do sapatinho engraçado que ele usava, aparecendo debaixo de um pedaço de toalha, o chapéuzinho caído no chão, e a mãozinha que ligeira e sobre risadas resgatava-o, denunciando o paradeiro de seu dono.
Eu o seguia e chamáva-o: - Homenzinho, ei, Homenzinho, pare de se esconder.
Até que ele parou de correr, não vi nem sombra dele, nem nada que pudesse indicar onde ele estava escondido. Sentei-me,ainda embaixo da mesa, cruzei as pernas e sustentei o queixo com as mãos.Olhando para os lados, tentando ainda procurar a estranha criaturinha...
- Me dá essa colher que está no seu bolso? Ouvi uma voz perto de mim, ainda sem saber de onde vinha.
- Quê? Quem disse isso?
- Eu ué!
- Eu quem?
- Eu Billie, oras!
- Não conheço ninguém chamado Billie, vamos, apareça!
- Só apareço se me der a colher...
Tirei a colher do bolso do vestido, segurei-a entre os dedos, o faixo de luz rompia a toalha da mesa refletia na colher e na parede eu via o reflexo dançar, eram manchas de luz que dançavam conforme eu movia a colher de sentido e direção. Até que uma vozinha me interpelou :
- Ah vai, me dá a colher, vocês tem um monte aí!
- E porque você quer uma colher?
- Porque ela é bonita oras.
- Aparece que eu te dou a colher.
- Tá bom!
Diante de mim, quase no meu nariz surge, de repente um homenzinho vestido de palhaço, me assustei, mas nao gritei, bati a cabeça na parte debaixo da mesa, ouvi um barulho, vi passos em volta da mesa... Respirei fundo e silenciei, vendo isso, já tendo tomado a colher de mim. Ele riu, riu alto, jogou-se no chão e continuou rindo. - Você é engraçada.
- Shiu, fica quieto, eles vão te ouvir
- Não vão não! Sé você consegue me ver e ouvir.

A próxima parte eu escrevo depois.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Palavra do Dia!



Vem pra minha redoma

Vem ver meu espetáculo



Vem, estende seus braços

Rodopia fechando os olhos.


Essa é uma nova história,

Uma que começa Agora!


Faz parte desse show


Canta dança, chora se for preciso

Mas nunca desfaz esse sorriso


Tristeza não é abrigo

Remédio é o seu riso


Vem pro palco,


Reverencia o público que te aplaude

Recebe as flores que te jogam


Sorri, abre os braços

Meu adorável palhaço!

Palavra do Dia!(De ontem XD)

Chuva


Cai chuva, cai forte

Faz companhia pra esse coração sozinho

Abraça-me com todas as tuas lágrimas

Esconde as que teimam cair do meu rosto


Cai chuva, molha meu corpo

Tira essa febre que me consome

Acaricia minha fronte

Lava-me de toda a angústia


Cai chuva, mas não caia pra sempre

Cai e deixa na terra todos os meus medos

Livra-me do peso invisível de meus pensamentos

Cura-me de toda a ferida que estava aberta.


Cai chuva, mas não caia para sempre

Deixa meus olhos verem o arco-íris 

Deixa minha fronte ser seca pelo sol

Mas se algo em mim ainda doer


Chuva, volte a chover!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Palavra do Dia!

Recomeço

Padece em cinzas pássaro ferido


Descansa em tuas próprias asas


Faz-te fogo


Consome-te em chamas


Sede por um momento parte de tudo


Transforma-te em nada


Resume-te a pó


Pois, já de manhãzinha


Quando aponta a auroa ainda


Vais renascer


Nova chama em ti vai acender


Serás pássaro novo


Vamos, hora de levantar vôo

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Palavra do Dia!


Dinheiro


Pessoas paradas em frente a uma vitrine

Em exposição, outras pessoas

Corpos para serem vendidos

Até os mais próximos amigos


Humanos sem sonhos

Pesadelos medonhos

Gaste todo o seu dinheiro

Vamos, não precisa ter medo


Tudo no mundo é mercadoria,

Acredite, não ria!

São  laços invisíveis

Que te esperam na esquina


São grilhões de comodismo

Ferros do capitalismo

Enquanto sorrindo aborda alguém

Um menino 


Estende as pequenas mãozinhas que parecem não se sustentam

Parecem prestes a cair

E reproduzindo a marchinha pergunta:

"Ei, você aí, me dá um dinheiro aí?"