“A poesia não se entrega a quem a define.


Mário Quintana


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Devaneios...


Escrevi uma canção...
Sem melodia, ritmo ou letra

Era feita de silêncio
Assim como eu, dos pés a cabeça

Escrevi então uma estória...
Sem herói, mocinha ou bandido

Era feita de tristeza
Assim como eu,triste e oculta em beleza

Escrevi então um poema
Sem rima, cadência ou coerência

Era feito para mim
Assim como eu, que chego ao fim.

Devaneios...

E se a máscara quebrar?
Menino, você não vai mais brincar?

E se a brincadeira chegar ao fim?
Menino, o que vai ser de mim?

E se o sonho não se realizar?
Menino, eu vou poder chorar?

E se a vida não me quiser mais?
Menino, eu poderei voltar atrás?

E se ninguém no último ato, me aplaudir?
Menino, por favor, continue a me sorrir...

Devaneios...


É um coração que bate
É a música que se cria
O lenço que voa da mão dela
Enquanto ela vê a vida da janela

É o assovio que ecoa
É o sorriso no meio da rua
O beijo que ela sonha ganhar
Enquanto espera, ela vai cantar

É o medo que faz tremer
É o frio que atormenta o corpo
O abraço que doa calor
Enquanto ela chora por amor

É a mão que espalma
É o espelho que reflete
O sorriso que ela quer ver
Enquanto descobre o que quer ser

É a Lua que brilha no alto
É o vento que corre no planalto
O medo que ela diz que sente
Enquanto por amor ela mente.

Devaneios...


É distante...
Qualquer coisa que aqueça
Qualquer amor que apareça

É frio...
Todo sentimento calado
E aquele abraço tão desejado

É vazio...
Todo o caminho percorrido
O que resta de um coração sofrido

É vida...
Tudo aquilo que respira
Toda a emoção sentida

É beijo...
O frio sentido na barriga
Reconciliação para qualquer briga

É amor...
Ver abraçados o Sol poente
Da vida, o maior presente

Devaneios...


Coração

Com você meu coração sai do tom
Investe e se esquece
Magoa e perdoa
Corre e se assusta
Mas volta chorando
Te busca

Com você meu coração sai do ritmo
Perde a batida
Mera arritmia
Pede colo
Fecha os olhos


Com você meu coração perde a noção
Já não sabe se vai ou se fica
Esperança intrínseca

De ser todo meu teu coração.

Devaneios...

Você não me deu as palavras, elas já estavam comigo, mas elas acordaram com você...

Elas me disseram o quanto o mundo é maravilhoso, e eu apenas olhava pela janela.
Meu mundo, meu quarto, é a minha prisão, mas as palavras são as asas que eu criei com pena.

Sou eu, um pássaro enjaulado a beira de um precipício, que quer voar, seguir com o vento, quer cantar aquela música que eu nunca ouvi.

Essas lágrimas que me sufocam, essas dores que me queimam
A pele que arrepia, o som que me guia.

Essa distância definitiva que ainda me faz te querer
Sou nada, resumo de tudo, sou escrava, mas dona do mundo.

Você não me deu as palavras, mas elas só me dizem o quanto dói ficar sem você.